quinta-feira, 3 de abril de 2008

A (MUSE) me...

Imagino-me no recreio, com uma bola de futebol nos pés e laços na cabeça, quando achas as minhas escolhas incongruentes. Quem disse que o meu ar prout-prout não se relacionava com as nódoas nos joelhos? Aqui compete (quase) tudo. Não é a vida demasiado miúda para condenarmos o vizinho da frente? Abrimos-lhe a porta e depois é só decidir se se senta no sofá acolchoado ou espera à entrada por melhores (ou piores ou nada)… Porque julgaste ridícula a voz engrossada pela bebida e o vídeo do senhor da fotografia, cabe-te agora apontar um novo rumo nestas guitarras pesadas pelas baquetas.
I´m FEELING GOOD in This SUPERMASSIVE BLACK HOLE, e tudo porque sou BUTTERFLIES AND HURRICANES!

PS- 6 de Junho, em Lisboa!

LM


quarta-feira, 2 de abril de 2008

When there's so many bigger things at hand...




"He walks away
The sun goes down
He takes the day but I'm grown
And in your way
In this blue shade
My tears dry on their own"

Precipícios


Madeira, Fotografias de LM




terça-feira, 1 de abril de 2008

ENTRE NÓS

ELA
"Liga-me, por favor!"
Preciso de revolver as entranhas, porque me dói. Há poucas pessoas a quem posso contar-me. Há tu! Liga-me, por favor!Preciso de perceber...me!


ELE
"Sabes que ligo"
Eis senão quando tentava explicar à Alexandra (a A senta-se ao meu lado sempre que estamos no mesmo país) que no fundo sou um rapaz frugal, descobri na resposta a natureza fundamental do teu erro: mostras as asas a mortais. Depois de mim e do verbo que então inventámos, o que esperavas? Amor? Quando muito. Bah.


ELA
"Sa(m)pa"
Tsunami- Onda ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas que deslocam verticalmente a coluna de água, como um sismo, actividade vulcânica, deslocamento de terras ou gelo ou impacto de um meteorito dentro ou perto do mar…causando grande destruição.

É assim que me descreves. Tu, que me conheces do avesso, que já tocaste o sítio dos remendos e rompeste noutro lado, ajudas agora a suturar o que faltava, o que me faz falta. Vês como nos rimos do que somos, do que nos tornamos e do que vemos um no outro? Assim me lembro que este não é o último dia, nem que será tão pouco o amanhã mais derradeiro que o hoje. Mas sempre consciente que há que gastar os pés, na possibilidade que a alma se esvaia num sopro mais rápido na hora seguinte, porque ninguém sabe que hora é essa, quando vem ou se está marcada. Dizes-me que posso assustar. Digo-te que não sei como entrar sem tudo. Se não me aproximar inteira, por inteiro, não me sinto verdadeira, em verdade te digo. O conta-gotas nunca foi a minha medida, e se o princípio não é o muito, há-de ser quando, afinal? Rabear de gatos, pés de pêlo, miar assustado. Renego todo esse jeito, que não é o meu. E se não me querem assim, pois bem, que me deixem, porque é assim que quero continuar a ser!
PS- Se o Tsunami é capaz de grandes massacres, porque é que sou eu que acabo sempre desmanchada?
Gosto de ti, como sabes.

ELE
"Caetano, anda ver aquele preto que você gosta!"

Sampa- Porque és o avesso, do avesso, do avesso, do avesso.
Descrevo-te como te sei. O mar só é negro onde é mais profundo e é só um lago se não for inconstante. Só é gelado porque vence o sol. Braços de mar a favor de outro corpo e as marés são quando mergulhas no teu. O meu desprezo pelo senhor que escreve o dicionário. Patético. Digo-te que podes assustar. Dir-te-ia que não a mim, que podia ter-te sorvido de um trago. Melhor não. Apercebo-me que alguma comparação poderia, de repente, fazer-me parecer... patético ;)

ELA
"My body is a Cage"

Nunca dizes que sou perfeita. Ao contrário, atiras-me com as verrugas da alma para cima, destapas as vergonhas, inclinas-me perante os pecados. Tudo meu, claro. Podia enfurecer-me se não te soubesse de cor mas és o único que, depois de espetares o ancinho na terra árida, fazes crescer flores. Cheguei à tona. Resta-me agora reaprender a nadar. Nunca dizes que sou perfeita. Talvez por isso me faças pegar nas minhas manchas e deixá-las ao relento, para que a noite desculpe a erosão. E eu desperto depois, já na mudança. Há aquelas manchas, contudo, que são intocáveis, nódoas tingidas a quente e que nem o tal “Amor” é capaz de varrer. Mas até essas tu enfrentas, sem acusações, sem intransigências. Fazes-me gostar de mim, ver que sou, afinal, mais gente. Só posso estar grata pelo que fomos. E agora pelo que somos.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Chamar-se saudade...

"...A Maria juntou-se à turma e ao gatinho que tinha aparecido na escola há umas semanas, com ar de fome e abandono. A professora Inês decidiu cuidar do pequeno Silvestre e todos os dias voltava a trazê-lo para a escola, para brincadeiras de novelo com os alunos. Silvestre já tinha crescido e os bigodes estavam cada vez mais fortes e compridos. Maria só não viu o Tomás, nem na sala de aula, depois da professora Inês fazer tilintar o sino tosco. Onde estaria o amigo?
O relógio seguia em frente: tique-taque, tique-taque. A Maria entristecia. Faltava-lhe o Tomás. Parecia que tinha um poço no lugar do peito. Lembrou-se então do que a mãe dizia sobre as flores:
- Quando deixam de ser mimadas, murcham, as pétalas caem, secam. É como ter saudades de alguém. Não parece tudo mais cinzento, mais feio? E vamos perdendo a cor aos poucos.
Saudade, pensou a Maria. Devia ser essa palavra que lhe tinha feito um nó no coração. SAUDADE.



Quando a cortina esconde
E as estrelas se fecham
Se não quero ser grande
E os heróis pestanejam
Isso é saudade


Quando nunca se esquece
E faz frio sem nevar
Se o colo já não basta
E apetece tanto chorar
Isso é saudade



Quando nem guloseimas
Fazem água na boca
Se o que era muito
É agora coisa pouca
Isso é saudade


Quando parece tarde
E não me lembro da voz
Quando parece longe
E longe faz ficar só
Isso é saudade



É verdade que a saudade doía. Mas não era só isso, porque no sítio onde doía também havia um espacinho de alegria, feliz por gostar, impaciente, a desejar muito um encontro. Era como se o beijo que tinha para retribuir ao Tomás se mantivesse suspenso nos lábios, em duas metades: uma arrastava os cantinhos da boca para baixo, com a distância; outra segurava-os em cima, com a esperança. E a saudade chamou pela Maria num suspiro: ai! ..."

In "De que cor é o amor" de LM

domingo, 30 de março de 2008

No Sound II

Fotografia de LM

sábado, 29 de março de 2008

NUM MINUTO



"Devagar
Esquece o tempo lá de fora
Devagar
Esqueça a rima que for cara
..."

sexta-feira, 28 de março de 2008

No sound

Funkalicious
Fotografia de LM

Ausência

Falta-me o ar. Faltas-me. Pensei que me colando a ti ia conseguir colar os estilhaços. Acabei mais partida. Batida pela incerteza de que me gostes, não consigo ver a superfície. Há tanto mar, aqui. Este é negro, inconstante, gelado. Revira-me o estômago, deixa-me sem vontades, deita-me ao medo. Tira-me o ar. Falta-me o ar. Faltas-me. Projecto os braços contra o corpo, desafiando o mergulho. Não respiro: engulo. Entra-me pelas narinas, por todos os poros, pelos pêlos, cabelos, unhas. Entras. Mas faltas-me. Falta seres, falta esqueceres, falta saber que te faço falta.

LM

terça-feira, 25 de março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

A MÚXICA


Edgar e Vasco na Casa da Música
23 de Março de 2008
Fotografias de LM

domingo, 23 de março de 2008

Do I disappoint you in just being human?

“...Do I disappoint you in just being like you?
Tired of being the reason the road has a shoulder
And it could be argued, why they all return to the order
Why does it always have to be chaos?
Why does it always have to be wanderlust?
Sensational
I'm gonna smash your bloody skull.
Cause, baby, no, you can't see inside
No, baby, no, you can't see my soul
Do I disappoint you?”

Rufus Wainwright


Primeiro acontece. Primeiro nem chega a acontecer. É só a imagem, o desejo, o que se imagina poder ser. Então aí sim, acontece. Morosamente até o primeiro toque, como se pede. Madurados pelo que se evita. Quando, finalmente, o desfecho da noite cabe num beijo, daqueles que se agarra com as duas mãos para que nunca fuja, tudo muda, muda sempre. Há ideias que se desfazem, fogos que se (a)pagam, candeias que enegrecem. Depois, cabe a quem se deita no beijo acender ou não a lua, continuando além ou parando por ali, na incerteza, na desilusão da falta de palavras nos intervalos ou do querer ficar mais um pouco. Aprendi a não me deixar cair por quem não quero. Pensei que tinha aprendido a não me deixar levar por quem não me quer. Será que já não dói o que passou? Parece que tenho este (d)efeito: I disappoint…

LM

sábado, 22 de março de 2008

...

Aguda, Março de 2008
Fotografia de LM

Si to la




Em Serralves, Março de 2008
Fotografias de LM

quarta-feira, 19 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

HOME

Mufi
Fotografia de LM

segunda-feira, 17 de março de 2008

domingo, 16 de março de 2008

INDIGO


Pedrinho
Funchal, 16 de Março de 2008
Fotografias de LM

sexta-feira, 14 de março de 2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

EM PECADO







Concerto RGGB- 7 Pecados Capitais
Funchal, 13 de Março de 2008

Fotografias de LM


terça-feira, 11 de março de 2008

A VOZ II







Oficina de Voz com João Henriques
Serviço Educativo de Música- Funchal
8 e 9 de Março
Fotografias de LM

sexta-feira, 7 de março de 2008

One Day You´ll Dance For Me!





"Dazed and confused
But most of all battered and bruised
I came with a dream
Shared by more than a few it seems
Fall asleep now, new york city
I need to rest my eyes
Someday i`ll rise, new york city
One day you`ll dance for me
Fall back
It`s been a lot day but we`re still on track
Embrace the fierce reality
Or wither away in sentimentality
All asleep now, new york city
I need to rest my eyes
Someday i`ll rise, new york city
One day you`ll dance for me"





Thomas Dybdahl, ao som da guitarra e do vento
Fotografia de LM

quinta-feira, 6 de março de 2008

BLUE MOMA

Fotografia de LM
6 de Março de 2005 , NY

SANTA MARIA Júnior

Fotografia de LM
Funchal - O clone do Stª Maria

terça-feira, 4 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

Diz quem sabe...

"SER A MESMA NOUTRO LUGAR MUDA TUDO!"

in Princesas, de Philippe Lechermeier e Rébecca Dautremer

Let´s ROCK


Fotografia de LM

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Se eu tivesse um buraco...



A história de ontem podia começar assim. Aliás, melhor seria se nem tivesse começado. Sempre pensei o quão desgraçado é o desgraçado que abana os braços a clamar por ajuda e não é atendido- morre sozinho na praia e com tom de pele de coitado. Sempre evitei afundar-me mas também nunca peço auxílio. Pelos menos fica a esperança de não ter resistido por não chamar pelos socorristas, não por incapacidade de lhes conseguir a atenção ou por erro próprio. O pior é quando, mal se acaba de pisar um palco, preferíamos ter sido a chacota por cairmos no fosso da orquestra e não por acreditar que era possível fazer milagres. É o que dá a inocência. Acrescento: e a fé. Tem destas coisas ainda ser menina. Preferia que a história de ontem não terminasse com vergonha. Mas porque aconteceu, queria um buraco, por favor!

LM

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

De que cor é o amor? (continuação)

"...A Maria sentia o rosto quente, como se o sol tivesse dormido ali, nas duas faces, e se esticasse depois ao pescoço, descesse pelos braços e pelas pernas e iluminasse o corpo todo. Não sabia o que se passava mas sabia que era bom.
Domingo. A menina tinha convidado o Tomás para um lanche no jardim lá de casa. No jardim, a Maria gostava de ver a mãe tratar das rosas, tulipas, margaridas, papoilas, jasmins, e transformar aquele lugar num lugar de sonhar, onde só faltava um castelo para ser igual ao dos livros. Maria sabia que a mãe, depois de mimar as plantas e alimentar a terra, puxava sempre aquela madeixa de cabelo teimosa que caía à frente dos olhos e acabava por sujar de castanho a testa. Ficava depois à espera que a mãe a chamasse para a última tarefa: regar os canteiros.
- Quando cai, a água é como se beijasse a terra- explicava a mãe da menina- e a terra vai guardar a água e deixar que a alimente. Isso faz com que as flores cresçam, fiquem mais coloridas, vivas!
Maria pensou se não seria também isso que lhe tinha acontecido. O beijo que o Tomás lhe atirou tinha-a deixado a sorrir, rosada e com vontade de crescer. Continuava sem saber que nome dar ao que tinha sentido e mal conseguiu dormir nessa noite. No tecto do quarto o pai tinha colado carneirinhos brilhantes, daqueles florescentes, os que se notam quando o candeeiro é desligado. Tentou contá-los para fechar os olhos mais rápido mas já tinha chegado ao número trezentos e setenta e oito e nada!


Um dois três
Como será em chinês?
Quatro cinco seis
Em francês até eu sei!



Sete oito nove
Vem o dez e o onze morde
Doze, treze, cem
Sabe a pastéis de Belém


Cento e trinta dois
Qual o dente que te dói?
Cento e sessenta
É açúcar ou pimenta?


Chegando aos duzentos
É o cabo de tormentos
Trezentos e cinco
Aperta agora o cinto


Somando só mais três
Acabou-se a gaguez
E venha o setenta
Na conta que se inventa..."


LM

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O silêncio das estrelas


Fotografia de LM


"Solidão
O silêncio das estrelas
A ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um Deus
E amanheço mortal

E assim
Repetindo os mesmos erros
Dói em mim
Ver que toda essa procura
Não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?

Um sinal
Uma porta para o infinito
O irreal
O que não pode ser dito
Afinal
Ser um homem em busca de mais
Como estrelas que brilham em paz"

Lenine






segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COMER A MÚSICA











Serviço Educativo de Música- Bach na Escola de Hotelaria da Madeira
Fotografias de LM




domingo, 24 de fevereiro de 2008

Nunca o Sangue foi tão Doce...



Saber-se o fim pode ser desolador mas nunca quando a forma nos namora até às entranhas, numa relação provocadora. Os acordes já cá estavam, a melodia entoei-a com as personagens, a história já a lia na cabeça, mas mesmo esperando temia que não se alcançasse. Depp pela perícia nas extensões (que nele se tornam órgão vital: das navalhas, às espadas, passando pelas tesouras), Burton porque sempre fez gostar do trágico, só podiam ser as escolhas para tornar num filme este musical. Mesmo assim o resultado podia ter sido outro. Do melhor ao perfeito há uma grande distância- e é nesse intermédio que geralmente se falha. Pois aqui não há erros. Johnny Depp provou porque sempre foi o meu eleito, Tim Burton reforçou outras das minhas preferências. Sondheim, esse já o conheço desde o dia em que nos encontramos num pequeno teatro londrino para “Sunday in the Park with George”. George é Seurat e Sondheim usou as únicas cores possíveis com um dos maestros do pontilhismo. Sair de um quadro em notas é um toque de génio. E cortar cabeças também.


LM

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Quoi?

AGAIN...

E perguntaram-lhe:
-Porque gostas tanto de Nova Iorque?
Ela respondeu:
-Porque me faz olhar para cima...

LM

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Quanto do teu sal...

Cabo Girão- Madeira
Fotografia de LM

domingo, 17 de fevereiro de 2008

To remember...


Se hoje tivesse de retratar um beijo seria como este, no corrimão da escada. Um plano americano em tudo o que não é: dos joelhos para baixo. As pernas não se chegam a entrelaçar mas percebe-se que é sequioso. O que mais gosto no cinema é o que o cinema me esconde, como o xaile branco que encobre do frio os ombros, como o encontro no lugar mais perto do céu em Nova Iorque que não acontece, como os apitos dos barcos que não vemos, como “O Grande Amor da Minha Vida” de quem não se sabe o rosto mas que se espera… Trocava de lugar com Deborah Kerr por “An Affair to Remember”. Mas nem sempre o playboy prefere a cantora...


LM