
sábado, 22 de dezembro de 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
A TRADIÇÃO
Uma manhã agasalhada. O cheiro a sonhos ainda anda pela casa. De pés descalços, a lembrar que é Inverno, corro para a cozinha e deixo que a cadela me morda os calcanhares. Vou à procura de uma chávena. Leite quente. Há folhas de papel rasgadas na mesa e fitas acumuladas a um canto. A árvore pisca-me o olho, aprovando os presentes. Sento-me no sofá, depois de atirar as cortinas para o lado, cruzo as pernas e acerto as meias de lã às pernas. Respira-se o silêncio na derradeira alvorada na casa. Antes da missa e dos beijos apertados aos vizinhos e à família, é aqui que se celebra o verdadeiro nascimento: dentro de mim. Como se a cada ano as forças se renovassem, os laços se apertassem, os desejos se (re)fizessem. E tudo porque é Natal.
LM, Dezembro de 2006
LM, Dezembro de 2006
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
LOVE(D)
Embarco. O adeus (mais breve) faz-me repetir-te em imagens dos tempos que fomos só nós os dois, juntos. Encontro-te no meu ir, como se estacionar nunca fosse resposta às inquietações. Mas se gosto tanto de parar nas tuas palavras e deixar-me ficar nelas, perdurando o que nunca durou entre nós (sempre os dois) …
Decido contar-te onde estou. Perdida no aeroporto que já conheço, entre os gritos das crianças da época e o entusiasmo provocador dos crescidos que regressam. Sinto falta de fugir contigo. Íamos de mão dada, mesmo que separados, em ruas diferentes, em países opostos. Atravessávamos o mar com um beijo, aquele no canto da boca onde insistias pendurar o cigarro. Fumaste-me tantas vezes, esgotando o meu cansaço. Contigo era continuamente. Durava a vontade, a troca, o sal no corpo, o abraço faminto. A conversa num jardim escuro, com uma fatia de pizza a enganar o estômago, de madrugada. A mordida num bolo de cinema que fizemos por dividir. O telhado com estrelas e um horizonte sonhado. Os desejos em que nos enrolamos depois, temendo que nunca mais houvesse depois… era, afinal, medo o que nos consumia. Medo de ter e de perder, medo de chegar e de deixar, medo de saber que não voltaríamos ao mesmo lugar, os dois, só os dois.
O relógio não pára. Insisto bater a marcha com ele. O meu tempo é “para a frente” mas em dias como hoje, em que o gosto do avião me traz à boca a tua fronte, desisto de querer andar. Aí, só tu me fazes, de novo, apetecer ser dois. Sempre os dois.
LM
Decido contar-te onde estou. Perdida no aeroporto que já conheço, entre os gritos das crianças da época e o entusiasmo provocador dos crescidos que regressam. Sinto falta de fugir contigo. Íamos de mão dada, mesmo que separados, em ruas diferentes, em países opostos. Atravessávamos o mar com um beijo, aquele no canto da boca onde insistias pendurar o cigarro. Fumaste-me tantas vezes, esgotando o meu cansaço. Contigo era continuamente. Durava a vontade, a troca, o sal no corpo, o abraço faminto. A conversa num jardim escuro, com uma fatia de pizza a enganar o estômago, de madrugada. A mordida num bolo de cinema que fizemos por dividir. O telhado com estrelas e um horizonte sonhado. Os desejos em que nos enrolamos depois, temendo que nunca mais houvesse depois… era, afinal, medo o que nos consumia. Medo de ter e de perder, medo de chegar e de deixar, medo de saber que não voltaríamos ao mesmo lugar, os dois, só os dois.
O relógio não pára. Insisto bater a marcha com ele. O meu tempo é “para a frente” mas em dias como hoje, em que o gosto do avião me traz à boca a tua fronte, desisto de querer andar. Aí, só tu me fazes, de novo, apetecer ser dois. Sempre os dois.
LM
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
PORTO
O Porto é a casa onde não durmo, a cama onde só me encosto, a almofada de pena(s). É o fotograma da minha vida mas que passa repentino, num filme que vai fazendo a história. “Sou do Porto”, digo quando me perguntam de onde venho. Não é inteiramente verdade. Não nasci, não cresci, não vivi na cidade. Mas é ela que me arrenda as suas ruas, as luzes, a noite, os amigos. Faço sempre de conta que sou ponte. Uma ponte que me junta, onde quer que esteja, a essa cidade. Faço sempre de conta que sou rio. Um rio que entra nela, pela cidade, e se estende a abraçá-la. Faço sempre de conta que sou gente. Gente que vive, que passa, que se insurge, que se oferece a sorrir. Faço sempre de conta que sou daqui. E esta mentira é a minha única verdade.
LM, de regresso ao Funchal
LM, de regresso ao Funchal
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Happy Birthday
terça-feira, 20 de novembro de 2007
TAKE ME HOME
http://www.youtube.com/watch?v=XewO1DB96To&feature=related
"Take me home
you silly boy
put your arms around me
take me home
you silly boy
all the world's not round without you
I'm so sorry that I broke your heart
please don't leave my side
take me home
you silly boy
cause I'm still in love you"
Tom Waits
"Take me home
you silly boy
put your arms around me
take me home
you silly boy
all the world's not round without you
I'm so sorry that I broke your heart
please don't leave my side
take me home
you silly boy
cause I'm still in love you"
Tom Waits
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
To THINK
"Um dia o mar veio e encheu-se de graça na minha praia. Foi assim que entrei nele e me fiz peixe."
In "Dias de Mar"
LM
In "Dias de Mar"
LM
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Madonna (mia cara)
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
WAIT FOR ME...do you??
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
URGÊNCIA DE TE ENCONTRAR
Fui encostar os lábios
A pensar que os dissolvias
E tu gelado
Pousei o ouvido na terra
A pensar que me cantavas
E tu calado
Deixei a mão no cabelo
A pensar que o soltavas
E tu aliado
Diz-me o que queres
Agora que a manhã veio pronta
Diz-me se me queres
Agora que te perdi na conta
E se é chuva o que deixas na minha escada
Então larga-me devagar
E dá por terminada
A canção que não foste cantar
Dois-me...
Porque me fiz querer?
Nunca fui tua, é verdade
Alugaste-me só por prazer
Por isso volto sozinha
Ao lugar em sépia
E arrasto-me num frio seco
De olhos no chão
E se há uma sequer réstia
De que me voltes a conhecer
Marco com as minhas sardas o tempo
Para no tempo não te perderes
LM
A pensar que os dissolvias
E tu gelado
Pousei o ouvido na terra
A pensar que me cantavas
E tu calado
Deixei a mão no cabelo
A pensar que o soltavas
E tu aliado
Diz-me o que queres
Agora que a manhã veio pronta
Diz-me se me queres
Agora que te perdi na conta
E se é chuva o que deixas na minha escada
Então larga-me devagar
E dá por terminada
A canção que não foste cantar
Dois-me...
Porque me fiz querer?
Nunca fui tua, é verdade
Alugaste-me só por prazer
Por isso volto sozinha
Ao lugar em sépia
E arrasto-me num frio seco
De olhos no chão
E se há uma sequer réstia
De que me voltes a conhecer
Marco com as minhas sardas o tempo
Para no tempo não te perderes
LM
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Condomínio de Luxo

No meu condomínio mora o mar e o verde, moram os montes roliços e inchados de tanto agarrarem a terra, mora o céu como telhado e as nuvens de agasalho. Neste condomínio moro eu e os outros. E se este condomínio fosse só meu, acrescentava-lhe um pincel. Assim ia caiando as paredes azuladas com sol, sempre que quisesse, e afastava o frio que me tira da varanda e arrefece o tapete de ervas e os pés. Ainda bem que neste condomínio há ponchos(as) para aconchegar a noite e desmanchar os passos, embriagados. Olho em frente e caminho para os lados. Afinal, preciso de me perder! Ainda bem que neste condomínio há coisas difíceis, como convencer que sou fácil. Mas afinal, nem sou assim tanto! Ainda bem que neste condomínio há conversas no sótão e lugares vagos na garagem, para o silêncio. Afinal, sempre detestei “falares” inúteis e fora do tempo. Ainda bem que neste condomínio há pratos cheios e sorrisos satisfeitos. Afinal, é bom comer da vida. Ainda bem que neste condomínio há água fresca, daquela que se arrasta como o "véu de uma noiva". Afinal, haja sede! Ainda bem que neste condomínio não há poses de rei. Porque este condomínio, afinal, é real!
Texto e Fotografias
LM
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
DAVID
Lembro-me de dizeres que as estrelas só se fazem com luz.
Lembro-me de ter sorrido, por duvidar. Era como se a ideia de um palco às escuras não me fosse estranha. Pois se o talento se engrandecer naquele espaço, quem precisa de holofotes?
Agora sorrio por ti, por perceber que te acendeste longe, no céu, e por saber que a noite só se faz com a tua luz. Afinal, era isso que me querias dizer.
Saudades. Sempre.
LM
Lembro-me de ter sorrido, por duvidar. Era como se a ideia de um palco às escuras não me fosse estranha. Pois se o talento se engrandecer naquele espaço, quem precisa de holofotes?
Agora sorrio por ti, por perceber que te acendeste longe, no céu, e por saber que a noite só se faz com a tua luz. Afinal, era isso que me querias dizer.
Saudades. Sempre.
LM
terça-feira, 16 de outubro de 2007
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Diário da Madeira 8
As caminhadas tornaram-se o aconchego do fim do dia. Mesmo antes do sol se espreguiçar pela última vez, calço as sapatilhas e… “on marche”! Sabe bem, mesmo sendo tão pouco. A banda sonora muda o ambiente, mesmo que o percurso se repita. Bach torna a paisagem luxuriante, Rufus Wainwright inebriante, Buarque absorvente. Bato ao compasso da canção o passo e às vezes supero o ritmo da música. Outras, desacelero e entro em contratempo. Comigo caminha sempre o mar, não vivesse eu numa ilha. Vai imenso, ao meu lado, de uma beleza incomparável, quase exuberante e por isso envaidecido. Depois há as rochas que o oceano contorna e que cresceram do calor vulcânico. São salpicos de lava encaixada pelos anos em montes que parecem torres de chocolate negro. E as árvores, de que nem consigo suspeitar a data de nascimento, penduram-se incorruptíveis sobre a água e pendem sempre para o mesmo lado: o do sol! E agora vou, antes que ele parta sem mim…
LM
terça-feira, 9 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
(A QUEM VEM)
Deixa-me contar-te um segredo:
Quando chegares vais ver as cores cheias
Ouvir todos os sons, vais perceber qualquer passo
Vais encontrar um colo, um beijo e abraços
Vais chegar pequeno, vais chegar num grito
Vais chegar à vida, aos dias, às horas
Vais chegar
E nem quando as cores esvaziarem
Os sons se engolirem e os passos se perderem
Nem quando fores grande e quieto
Nem quando a vida te mostrar que chegaste
Naquele dia, àquela hora
Vais perder o colo, o beijo, e os abraços
Vais chegar …e já não é segredo!
LM
Quando chegares vais ver as cores cheias
Ouvir todos os sons, vais perceber qualquer passo
Vais encontrar um colo, um beijo e abraços
Vais chegar pequeno, vais chegar num grito
Vais chegar à vida, aos dias, às horas
Vais chegar
E nem quando as cores esvaziarem
Os sons se engolirem e os passos se perderem
Nem quando fores grande e quieto
Nem quando a vida te mostrar que chegaste
Naquele dia, àquela hora
Vais perder o colo, o beijo, e os abraços
Vais chegar …e já não é segredo!
LM
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Histórias de Mimar a Música (3)
Oboé e Violoncelo

Onde está o duende?
Um duende, dois duendes
A conta é de somar
Chegam muito arrebitados
E quase sempre atrasados
Em lendas a cirandar
No bosque do miradouro
De orelhas pontiagudas
Vigiam o pote de ouro
No final do arco-íris
Com risadas bolachudas
Oboé é o duende anasalado
Tem os olhos verduscos
E o corpo amendoado
E é assim apelidado
Por estar sempre constipado
Com uns calções de cone
Como um gelado ao inverso
O oboé faz vibrar as palhetas
E afina a orquestra
Com um lá esperto
Segue lento e amuado
(tudo por estar adoentado)
E puxa de um lenço petiz
Para evitar que o vento
Lhe arrefeça o nariz
Já violoncelo robusto
Nunca se agasta de brincar
É um duende astuto
Com os pés de madeira
E um espigão a segurar
Gosta de levar em valsas
A mão da Beatriz
A quarta corda que abraça
Sempre em modo de graça
Até lhe corar o verniz
Diz-se que um e outro
São percebidos a deambular
Nas noites dos humanos
Mesmo que disfarçados
De folhas verde-mar
Com apetite insaciável
Prontos a devorar a cozinha
Entram de calcanhar manso
Nas casas com jardim
E nas outras vizinhas
Parecem sombras à espreita
E levam grandes sacos
Onde escondem o pão, o mel
E a fruta mais madura
Ao escaparem para o regato
Com água fresca na mistura
Começam a ceia demorada
As plantas servem de pratos
E os talos de garfos
Antes de levantar a alvorada
Ninguém sabe porque ninguém viu
Mas assim se faz um mito
Se espiares o silêncio do escuro
Quem sabe um dia um duende
Te deixe um desejo escrito

Onde está o duende?
Um duende, dois duendes
A conta é de somar
Chegam muito arrebitados
E quase sempre atrasados
Em lendas a cirandar
No bosque do miradouro
De orelhas pontiagudas
Vigiam o pote de ouro
No final do arco-íris
Com risadas bolachudas
Oboé é o duende anasalado
Tem os olhos verduscos
E o corpo amendoado
E é assim apelidado
Por estar sempre constipado
Com uns calções de cone
Como um gelado ao inverso
O oboé faz vibrar as palhetas
E afina a orquestra
Com um lá esperto
Segue lento e amuado
(tudo por estar adoentado)
E puxa de um lenço petiz
Para evitar que o vento
Lhe arrefeça o nariz
Já violoncelo robusto
Nunca se agasta de brincar
É um duende astuto
Com os pés de madeira
E um espigão a segurar
Gosta de levar em valsas
A mão da Beatriz
A quarta corda que abraça
Sempre em modo de graça
Até lhe corar o verniz
Diz-se que um e outro
São percebidos a deambular
Nas noites dos humanos
Mesmo que disfarçados
De folhas verde-mar
Com apetite insaciável
Prontos a devorar a cozinha
Entram de calcanhar manso
Nas casas com jardim
E nas outras vizinhas
Parecem sombras à espreita
E levam grandes sacos
Onde escondem o pão, o mel
E a fruta mais madura
Ao escaparem para o regato
Com água fresca na mistura
Começam a ceia demorada
As plantas servem de pratos
E os talos de garfos
Antes de levantar a alvorada
Ninguém sabe porque ninguém viu
Mas assim se faz um mito
Se espiares o silêncio do escuro
Quem sabe um dia um duende
Te deixe um desejo escrito
LM
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