domingo, 7 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
EM UNÍSSONO
Descobri-nos num dia de Verão, a quebrar um vestido verde na maresia e olhar mudo de noite. Tu alcançaste o que eu demorei a assentir: que há instantes que mudam o que o tempo vinha a desenhar nos nossos dias, e que o peso do que passou é menor perante o adivinhar viçoso do futuro. Deste-me a mão sem me tocares, e percebeste que a minha árvore genealógica era feita de flores e frutas, de mar e gente, de partir e de chegar. Soubeste-me pelos traços visíveis do rosto e, sobretudo, pelos que encapota a alma. Leste-me e aprendeste-me num sopro. É como se tudo estivesse lá, no canto da boca, só à espera de se soltar numa palavra perfeita. A mais perfeita.
LM
SUA REALEZA
Bob Dylan diz que a presunção não é uma doença. É antes uma fraqueza. Que basta morder o presunçoso no sítio certo para criar nódoas negras inapagáveis. O presunçoso é como um balão, com uma falsa e empolada ideia de si próprio e, se o alfinetarmos, rebenta. Ora, não seria bom espetarmos o pé no sítio do assento daqueles que mais ostentam, provando-lhes que o lugar dos pavões é a oriente, e a alimentarem-se de sementes e invertebrados?
LM
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
WAIT(s)
Q:
What remarkable things have you found in unexpected places?
A:
Real beauty: oil stains left by cars in a parking lot
Great Acoustic: in jail.
Most gift shops: Fatima, Portugal.
Most beautiful horses: NYC
…
In “Tom Waits : a conversation with himself”- The Independent
What remarkable things have you found in unexpected places?
A:
Real beauty: oil stains left by cars in a parking lot
Great Acoustic: in jail.
Most gift shops: Fatima, Portugal.
Most beautiful horses: NYC
…
In “Tom Waits : a conversation with himself”- The Independent
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Caminhando

Onde andas? Penso-te um jantar adequado à condição de amantes, regado com pesto e noz-moscada. Onde andas? Sento-me no sofá pálido de saudades e comento com as palavras que palavras queria dizer-te. Onde andas? Eu estou aqui na vida de agora, no tempo húmido e no verde que se contorna logo pela aurora. Onde andas? Refaço as contas para os dias que faltam para não me faltares. Onde andas? Há arraiais por todo o lado a provar que este querido mês de Agosto se remata de gente galhofeira. Onde andas? A música que oiço é a viagem dos meus apetites, vorazes de partidas ao encontro. Onde andas? Cai uma cortina escura no mar retalhado pelas casas, e a noite acontece. Onde andas? Serás tu aquela estrela cadente que passa repentina mas que deixa um rastilho de felicidade? Anda por aqui, que é tão bom ver-te!
LM
ANDANÇAS
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
MESMERIZING
terça-feira, 19 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
I no longer know where home is
I lose some sales
and my boss won't be happy
but I can't stop listening to the sound
of two soft voices blended in perfection
from the reels of this record that I found
every day there's a boy in the mirror
asking me
what are you doing here
finding all my previous motives
growing increasingly unclear
I travelled far and I burned all the bridges
I belived as SOON as I hit land
all the other
options held before me
WILL wither in the light of my plan
so I lose some sales
and my boss won't be happy
but there's only one thing on my mind
searching boxes underneath the counter
on a chance that on a tape I'd find
a song for
someone who needs somewhere
to long for
homesick
cause I no longer know
where home is
Kings of Convenience
and my boss won't be happy
but I can't stop listening to the sound
of two soft voices blended in perfection
from the reels of this record that I found
every day there's a boy in the mirror
asking me
what are you doing here
finding all my previous motives
growing increasingly unclear
I travelled far and I burned all the bridges
I belived as SOON as I hit land
all the other
options held before me
WILL wither in the light of my plan
so I lose some sales
and my boss won't be happy
but there's only one thing on my mind
searching boxes underneath the counter
on a chance that on a tape I'd find
a song for
someone who needs somewhere
to long for
homesick
cause I no longer know
where home is
Kings of Convenience
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Where do we have to get off?
De mala na mão, na porta entreaberta, como um gato a roçar nos cantos, num ronronar que afasta mas circunda. Quando a noite vem é o cair do pano, o teatro fechado, o palco desmontado e nós, só nós ali, estendidos. Quando a manhã se decide, volta-se a abrir o lugar para todos, uns que entram e outros que partem, uns cativos e outros ocasionais, uns despertos e outros desprendidos. A cena passa a arena e a indefinição toma conta dos estrados. O que mais me cansa é não saber. O que mais me cansa é este meu lado irresoluto, um assobiar frouxo para o que esperas. De mim. Esperas que eu chegue com tudo quando o que eu tenho é quase nada. Mala vazia. Se eu fosse da plateia gritaria: “Vamos, fecha de uma vez a porta ou abre-a de espaço.”. E o que é eu faço? Deixo-me ficar pendurada nos intervalos, para ver passar o tempo, cruzando os dedos em figas para que esse, o tempo, mostre se devo entrar ou sair. De mala na mão. Vazia.
LM
terça-feira, 22 de julho de 2008
FLAT
Zoom in na tua fotografia. Há semanas que não te via por aqui. Principalmente assim, vestido de cerimónia para a música, com uma extensão dourada que vai da boca e desce nas mãos. Mãos. Usaste-as para te queixares do meu cabelo. “DEMASIADO”, dizias, e sopravas nos que se apresentavam aos teus olhos e comichavam a face da noite perdida em olheiras fundas. Devias rir-te e não pregar os cabelos, os meus cabelos “DEMASIADO”, atrás das costas. Pelo menos das costas gostavas, talvez porque lhes vias um “ir”, para finalmente te deixares ficar sem DEMASIAS. Agora, sem saberes do “voltar”, arrematas um “então?”, digno do mais eficiente pateta, DEMASIADO distraído com as suas orelhas compridas, e às vezes surdas, para poder ver se o cabelo continua assim. DEMASIADO. Já pensaste que posso ter cortado as pontas gretadas e agora estou DEMASIADO… distante? Zoom out na tua fotografia. Passará mais uma semana sem a ver por aqui.
LM
LM
segunda-feira, 21 de julho de 2008
I Don´t Know Life at All
Chega-te aqui. Vens com a idade dos sonhos, vens perto e aberto, vens com casas de algodão e lollipops na varanda. Trazes penas ao peito e sorrisos em colheradas. Trazes palavras de sabor a gelado e um Verão com flores. Tocas a chuva com a mesma vontade com que desenhas estrelas: em traços largos. Contigo há contos de fadas e páginas que desaparecem na altura dos pesadelos. Há lágrimas que escorregam, balancés que as lançam e carrosséis que as penduram. Há luas cerúleas, ventos adocicados e sóis de frescura. Há alusões, ilusões, sensações e emoções. Há cães com língua de gato, morcegos de chocolate e galinhas orelhudas. O jardim molhado cheira a lavanda, a casa enche-se de cantos, há segredos das cartas colados no tecto e nos sofás cobertores de fotografias. Porque andas por aí, perto, e vens com a idade dos sonhos. Só que eu deixei o meu sonho na idade que já não tenho.
LM
sábado, 19 de julho de 2008
Don´t you lift me up
That means no
Where I come from
I am cold, out waiting for the day to come
I chew my lips
And I scratch my nose
Feels so good to be a rose
Oh don't
Don't you lift me up
Like I'm that shy no-no-no-no-no, just give it up
See, there are bats all dissolving in a row
Into the wishy-washy dark that can't let go
I cannot let go
So I thank the lord
And I thank his sword
Though it be mincing up the morning, slightly bored
Oh oh oh, morning
Without warning
Like a hole
Oh, and I watch you go
sexta-feira, 18 de julho de 2008
House of Cards
Quero dizer-te assim. Devagar. É que a minha casa ainda se faz de cartas, cartas que se tocam, acrescentam e montam. É como um baralho ao contrário de um baralho, porque as cartas se compõem num método (estranho mas) que em mim faz o sentido da vida. Quero dizer-te assim. Devagar. Que sei que quero ser amiga. Ou que sou. Tudo mais faz parte das cartas que estão desaparecidas ou fora do baralho, que não é baralho. Tenho tempo. Tenho sempre tempo. Mas e tu? Quero dizer-te assim. Devagar. Que tenho medo. E que o que vier será uma graça, mesmo que seja menos do que esperas. Um dia de cada vez. No nosso caso, uma noite atrás da outra. Quero dizer-te que me obrigo. Assim. Devagar. Obrigo-me a perceber. Não precipitando a resposta, não transpondo o que, efectivamente, te quero dizer. Quero dizer-te assim. Devagar. Não sei. Deixo-me estar porque preciso. Corrompe-me o egoísmo. Deforma-me a cara, as sardas, o verde dos olhos. Mas deixo-me estar. Porque preciso e porque precisas. Não achas que devemos dizer-nos…devagar? E se a casa se desfaz e as cartas derrapam? E se o tecto cai e a porta se fecha? Diz-me. Porque é que não me consigo atirar?
LM
As padeirinhas...
Rimo-nos! Eu chamei o pão pelo nome que não conhecias, e depois acusei o bolo de ser broa. De mel. Rimo-nos. Até porque, como a borboleta perfeita no meio da pequena floresta de lilases e verdes, também nós queremos caber na moldura deste espaço. Pelo menos enquanto o espaço for nosso e o espaço nos der espaço para isso. Rimo-nos. Queres uma padeirinha?
LM
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)

