quinta-feira, 8 de novembro de 2007

MONTES



Fotografias de LM

terça-feira, 6 de novembro de 2007

WAIT FOR ME...do you??



"...it isn't very smart
tends to make one part so broken-hearted..."

Hoje, Coliseu dos Recreios, Rufus Wainwright

Fotografia de LM
Concerto Rufus Wainwright- Want Two-New York, 2005

ARRASTO




Fotografias de LM


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

URGÊNCIA DE TE ENCONTRAR

Fui encostar os lábios
A pensar que os dissolvias
E tu gelado

Pousei o ouvido na terra
A pensar que me cantavas
E tu calado

Deixei a mão no cabelo
A pensar que o soltavas
E tu aliado

Diz-me o que queres
Agora que a manhã veio pronta
Diz-me se me queres
Agora que te perdi na conta

E se é chuva o que deixas na minha escada
Então larga-me devagar
E dá por terminada
A canção que não foste cantar

Dois-me...
Porque me fiz querer?
Nunca fui tua, é verdade
Alugaste-me só por prazer

Por isso volto sozinha
Ao lugar em sépia
E arrasto-me num frio seco
De olhos no chão

E se há uma sequer réstia
De que me voltes a conhecer
Marco com as minhas sardas o tempo
Para no tempo não te perderes

LM

LEVADA pela LEVADA
















Levada do Caldeirão Verde
4 de Novembro de 2007
Fotografias de LM





Falar a Música


António Cartaxo
Concerto OCM
3 de Novembro de 2007
Fotografias de LM

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Condomínio de Luxo












No meu condomínio mora o mar e o verde, moram os montes roliços e inchados de tanto agarrarem a terra, mora o céu como telhado e as nuvens de agasalho. Neste condomínio moro eu e os outros. E se este condomínio fosse só meu, acrescentava-lhe um pincel. Assim ia caiando as paredes azuladas com sol, sempre que quisesse, e afastava o frio que me tira da varanda e arrefece o tapete de ervas e os pés. Ainda bem que neste condomínio há ponchos(as) para aconchegar a noite e desmanchar os passos, embriagados. Olho em frente e caminho para os lados. Afinal, preciso de me perder! Ainda bem que neste condomínio há coisas difíceis, como convencer que sou fácil. Mas afinal, nem sou assim tanto! Ainda bem que neste condomínio há conversas no sótão e lugares vagos na garagem, para o silêncio. Afinal, sempre detestei “falares” inúteis e fora do tempo. Ainda bem que neste condomínio há pratos cheios e sorrisos satisfeitos. Afinal, é bom comer da vida. Ainda bem que neste condomínio há água fresca, daquela que se arrasta como o "véu de uma noiva". Afinal, haja sede! Ainda bem que neste condomínio não há poses de rei. Porque este condomínio, afinal, é real!
Texto e Fotografias
LM

Diário da Madeira 10




Módulo "O som da animação"
Serviço Educativo- Funchal
Fotografias de LM


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

(A)O Lado da Música


20 de Outubro de 2007
Concerto OCM- Funchal
Fotografias de LM

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A song for YOU

http://www.youtube.com/watch?v=EQIQc61wnSk

Aos Voos da Cruzeta



Vamos "cruzar" os ventos para que regresses muitas vezes. Até lá. Até breve.

Inauguração Dolce Vita
Fotografias de LM




segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Maestrias em BLUR

Rui Massena
Concerto OCM, 20 de Outubro de 2007
Fotografia de LM

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

DAVID

Lembro-me de dizeres que as estrelas só se fazem com luz.
Lembro-me de ter sorrido, por duvidar. Era como se a ideia de um palco às escuras não me fosse estranha. Pois se o talento se engrandecer naquele espaço, quem precisa de holofotes?
Agora sorrio por ti, por perceber que te acendeste longe, no céu, e por saber que a noite só se faz com a tua luz. Afinal, era isso que me querias dizer.
Saudades. Sempre.

LM

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Diário da Madeira 9







"À Procura dos Sons"- Jardim Botânico da Madeira
Serviço Educativo de Música
Fotografia de LM

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Diário da Madeira 8

As caminhadas tornaram-se o aconchego do fim do dia. Mesmo antes do sol se espreguiçar pela última vez, calço as sapatilhas e… “on marche”! Sabe bem, mesmo sendo tão pouco. A banda sonora muda o ambiente, mesmo que o percurso se repita. Bach torna a paisagem luxuriante, Rufus Wainwright inebriante, Buarque absorvente. Bato ao compasso da canção o passo e às vezes supero o ritmo da música. Outras, desacelero e entro em contratempo. Comigo caminha sempre o mar, não vivesse eu numa ilha. Vai imenso, ao meu lado, de uma beleza incomparável, quase exuberante e por isso envaidecido. Depois há as rochas que o oceano contorna e que cresceram do calor vulcânico. São salpicos de lava encaixada pelos anos em montes que parecem torres de chocolate negro. E as árvores, de que nem consigo suspeitar a data de nascimento, penduram-se incorruptíveis sobre a água e pendem sempre para o mesmo lado: o do sol! E agora vou, antes que ele parta sem mim…

LM

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Diário da Madeira 7





Serviço Educativo de Música
Oficina de Voz- com Natália de Matos
Fotografias de LM





quarta-feira, 3 de outubro de 2007

The Yellow Brick ROAD

Fotografia de LM
NY, 2005

(A QUEM VEM)

Deixa-me contar-te um segredo:
Quando chegares vais ver as cores cheias
Ouvir todos os sons, vais perceber qualquer passo
Vais encontrar um colo, um beijo e abraços
Vais chegar pequeno, vais chegar num grito
Vais chegar à vida, aos dias, às horas
Vais chegar

E nem quando as cores esvaziarem
Os sons se engolirem e os passos se perderem
Nem quando fores grande e quieto
Nem quando a vida te mostrar que chegaste
Naquele dia, àquela hora
Vais perder o colo, o beijo, e os abraços
Vais chegar …e já não é segredo!



LM

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Histórias de Mimar a Música (3)

Oboé e Violoncelo




Onde está o duende?

Um duende, dois duendes
A conta é de somar
Chegam muito arrebitados
E quase sempre atrasados
Em lendas a cirandar

No bosque do miradouro
De orelhas pontiagudas
Vigiam o pote de ouro
No final do arco-íris
Com risadas bolachudas

Oboé é o duende anasalado
Tem os olhos verduscos
E o corpo amendoado
E é assim apelidado
Por estar sempre constipado

Com uns calções de cone
Como um gelado ao inverso
O oboé faz vibrar as palhetas
E afina a orquestra
Com um lá esperto

Segue lento e amuado
(tudo por estar adoentado)
E puxa de um lenço petiz
Para evitar que o vento
Lhe arrefeça o nariz


Já violoncelo robusto
Nunca se agasta de brincar
É um duende astuto
Com os pés de madeira
E um espigão a segurar


Gosta de levar em valsas
A mão da Beatriz
A quarta corda que abraça
Sempre em modo de graça
Até lhe corar o verniz

Diz-se que um e outro
São percebidos a deambular
Nas noites dos humanos
Mesmo que disfarçados
De folhas verde-mar

Com apetite insaciável
Prontos a devorar a cozinha
Entram de calcanhar manso
Nas casas com jardim
E nas outras vizinhas

Parecem sombras à espreita
E levam grandes sacos
Onde escondem o pão, o mel
E a fruta mais madura
Ao escaparem para o regato


Com água fresca na mistura
Começam a ceia demorada
As plantas servem de pratos
E os talos de garfos
Antes de levantar a alvorada

Ninguém sabe porque ninguém viu
Mas assim se faz um mito
Se espiares o silêncio do escuro
Quem sabe um dia um duende
Te deixe um desejo escrito
LM

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Diário da Madeira 6




CARTAZ- SERVIÇO EDUCATIVO MÚSICA

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Lesson 1: How to Swim, How to Smile







Pedrinho, Funchal
Fotografias de LM



Diário de um Estúdio 3

Li, "Berto Bar Aberto", Cris e Silvitas

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Comer o MAR, Comer o CÉU




Olha que se faz tarde
E já queima a última luz
Já desaparecem as vozes
As pessoas, nos carros
Só se notam os faróis
Poucos
Mas a noite sozinha
É tanta


Olha que se faz tarde
Tens o que querias?
A cara lavada, a roupa passada
O carro ligado
Era o que querias?
Diz-me, que se faz tarde
Se era tua a cara, a roupa
O carro e este dia

Olha que se faz tarde






Texto e Fotografias
LM

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Diário da Madeira 5




Concerto "RGGB"
FOTOGRAFIAS DE LM


terça-feira, 11 de setembro de 2007

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Diário da Madeira 4




Sabe a mar e sabe bem.
Nada como um mergulho fundo em águas negras e quentes para lavar o peso da semana que chega ao fim. A distância tem destas coisas: para sermos felizes é obrigatório despegarmo-nos do que ficou para trás e abocanharmos com vontade o que agora vem. Assim, arregaçadas as mangas, há que mostrar porque quisemos mudar de vida. Nem sempre nos entendem, às vezes até nos estranham, mas devagar batemos a desconfiança. Os amigos têm outros nomes, a casa chama por outra rua e a manhã acontece agora na varanda. Afinal, é todo um mundo novo.





LM

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

domingo, 2 de setembro de 2007

Diário da Madeira 2











A vista surpreende, mesmo de noite. Lá em baixo vê-se o que já ouvi chamar de “presépio”, talvez a anunciação de um lugar melhor. A brisa fresca obriga a casaco mas a piscina, aqui espelho dos músicos, lembra que ainda é Verão. Viemos ao jazz, Xôpana jazz. TGB, Abe Rábade Trio, Matt Palvolka Group e André Fernandes 4teto. O lume está aceso. Bem-vindos à Madeira!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Diário da Madeira 1

Despeço-me sempre com os olhos enxutos. Mal atravesso a porta de embarque aí estão elas: despegadas, roliças e molhadas. São lágrimas. E nem sei bem porque choro. O aperto no estômago acentua a gravidade, quase como se fosse empurrada para o chão e foçada a cravar as pernas na porta de partida, antes de partir.
Depois o voo. Mais tranquila, sorrio às hospedeiras. Gosto de ser simpática. Admiro-lhes a pose sempre adequada e firme. Olho em todas as direcções à procura da fila e do lugar e cruzo os dedos para descobrir que vou ficar sentada ao lado de um príncipe. Nunca aconteceu, vá-se lá saber porquê. Será que só montam, não voam? Desta vez vou à janela, mas prefiro o corredor. Tenho aquela tonta ideia que se algum dia o avião ameaçar cair estou assim mais perto da saída e de escapar ilesa.
23 horas.
Pego num livro. Escolhi “Hoje não” de José Luís Peixoto. Faço de conta que sou absorvida pela história. Mentira. Na minha cabeça não há lugar para outros contos, não hoje. Só os meus. E não é uma metáfora. É que tenho alguns para escrever e saem-me imagens nas circunstâncias mais impróprias. O meu saco está longe. Lá dentro tenho um bloco e caneta, companheiros inseparáveis. A hospedeira pediu-me que o guardasse. Eu deixei que ela o levasse. Preferia agora que ela não tivesse um ar tão firme e teria dito que queria o saco aos meus pés. Afinal, era onde sempre o levava, ao voar.
Penso.
Peço uma caneta ao senhor do lado e volto à primeira página do livro. Escrevo o que me vai na cabeça. Se é um crime rabiscar nas palavras dos outros, então confesso-me mais do que culpada. Faço-o tantas vezes!
Aí vem a água. Decidi aborrecer a hospedeira para me vingar da distância a que trancou o que é meu.
Ainda bem que a viagem é curta. Já não há muito espaço nesta primeira folha do livro. “Queiram apertar os cintos de segurança”. Nem o tinha desapertado. Nunca me levanto. Fecho o livro, entrego a caneta ao passageiro vizinho, olho mais uma vez a hospedeira firme, que agora me faz sentir segura, e chego ao Funchal!

LM

terça-feira, 28 de agosto de 2007