quinta-feira, 8 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
WAIT FOR ME...do you??
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
URGÊNCIA DE TE ENCONTRAR
Fui encostar os lábios
A pensar que os dissolvias
E tu gelado
Pousei o ouvido na terra
A pensar que me cantavas
E tu calado
Deixei a mão no cabelo
A pensar que o soltavas
E tu aliado
Diz-me o que queres
Agora que a manhã veio pronta
Diz-me se me queres
Agora que te perdi na conta
E se é chuva o que deixas na minha escada
Então larga-me devagar
E dá por terminada
A canção que não foste cantar
Dois-me...
Porque me fiz querer?
Nunca fui tua, é verdade
Alugaste-me só por prazer
Por isso volto sozinha
Ao lugar em sépia
E arrasto-me num frio seco
De olhos no chão
E se há uma sequer réstia
De que me voltes a conhecer
Marco com as minhas sardas o tempo
Para no tempo não te perderes
LM
A pensar que os dissolvias
E tu gelado
Pousei o ouvido na terra
A pensar que me cantavas
E tu calado
Deixei a mão no cabelo
A pensar que o soltavas
E tu aliado
Diz-me o que queres
Agora que a manhã veio pronta
Diz-me se me queres
Agora que te perdi na conta
E se é chuva o que deixas na minha escada
Então larga-me devagar
E dá por terminada
A canção que não foste cantar
Dois-me...
Porque me fiz querer?
Nunca fui tua, é verdade
Alugaste-me só por prazer
Por isso volto sozinha
Ao lugar em sépia
E arrasto-me num frio seco
De olhos no chão
E se há uma sequer réstia
De que me voltes a conhecer
Marco com as minhas sardas o tempo
Para no tempo não te perderes
LM
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Condomínio de Luxo

No meu condomínio mora o mar e o verde, moram os montes roliços e inchados de tanto agarrarem a terra, mora o céu como telhado e as nuvens de agasalho. Neste condomínio moro eu e os outros. E se este condomínio fosse só meu, acrescentava-lhe um pincel. Assim ia caiando as paredes azuladas com sol, sempre que quisesse, e afastava o frio que me tira da varanda e arrefece o tapete de ervas e os pés. Ainda bem que neste condomínio há ponchos(as) para aconchegar a noite e desmanchar os passos, embriagados. Olho em frente e caminho para os lados. Afinal, preciso de me perder! Ainda bem que neste condomínio há coisas difíceis, como convencer que sou fácil. Mas afinal, nem sou assim tanto! Ainda bem que neste condomínio há conversas no sótão e lugares vagos na garagem, para o silêncio. Afinal, sempre detestei “falares” inúteis e fora do tempo. Ainda bem que neste condomínio há pratos cheios e sorrisos satisfeitos. Afinal, é bom comer da vida. Ainda bem que neste condomínio há água fresca, daquela que se arrasta como o "véu de uma noiva". Afinal, haja sede! Ainda bem que neste condomínio não há poses de rei. Porque este condomínio, afinal, é real!
Texto e Fotografias
LM
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
DAVID
Lembro-me de dizeres que as estrelas só se fazem com luz.
Lembro-me de ter sorrido, por duvidar. Era como se a ideia de um palco às escuras não me fosse estranha. Pois se o talento se engrandecer naquele espaço, quem precisa de holofotes?
Agora sorrio por ti, por perceber que te acendeste longe, no céu, e por saber que a noite só se faz com a tua luz. Afinal, era isso que me querias dizer.
Saudades. Sempre.
LM
Lembro-me de ter sorrido, por duvidar. Era como se a ideia de um palco às escuras não me fosse estranha. Pois se o talento se engrandecer naquele espaço, quem precisa de holofotes?
Agora sorrio por ti, por perceber que te acendeste longe, no céu, e por saber que a noite só se faz com a tua luz. Afinal, era isso que me querias dizer.
Saudades. Sempre.
LM
terça-feira, 16 de outubro de 2007
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Diário da Madeira 8
As caminhadas tornaram-se o aconchego do fim do dia. Mesmo antes do sol se espreguiçar pela última vez, calço as sapatilhas e… “on marche”! Sabe bem, mesmo sendo tão pouco. A banda sonora muda o ambiente, mesmo que o percurso se repita. Bach torna a paisagem luxuriante, Rufus Wainwright inebriante, Buarque absorvente. Bato ao compasso da canção o passo e às vezes supero o ritmo da música. Outras, desacelero e entro em contratempo. Comigo caminha sempre o mar, não vivesse eu numa ilha. Vai imenso, ao meu lado, de uma beleza incomparável, quase exuberante e por isso envaidecido. Depois há as rochas que o oceano contorna e que cresceram do calor vulcânico. São salpicos de lava encaixada pelos anos em montes que parecem torres de chocolate negro. E as árvores, de que nem consigo suspeitar a data de nascimento, penduram-se incorruptíveis sobre a água e pendem sempre para o mesmo lado: o do sol! E agora vou, antes que ele parta sem mim…
LM
terça-feira, 9 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
(A QUEM VEM)
Deixa-me contar-te um segredo:
Quando chegares vais ver as cores cheias
Ouvir todos os sons, vais perceber qualquer passo
Vais encontrar um colo, um beijo e abraços
Vais chegar pequeno, vais chegar num grito
Vais chegar à vida, aos dias, às horas
Vais chegar
E nem quando as cores esvaziarem
Os sons se engolirem e os passos se perderem
Nem quando fores grande e quieto
Nem quando a vida te mostrar que chegaste
Naquele dia, àquela hora
Vais perder o colo, o beijo, e os abraços
Vais chegar …e já não é segredo!
LM
Quando chegares vais ver as cores cheias
Ouvir todos os sons, vais perceber qualquer passo
Vais encontrar um colo, um beijo e abraços
Vais chegar pequeno, vais chegar num grito
Vais chegar à vida, aos dias, às horas
Vais chegar
E nem quando as cores esvaziarem
Os sons se engolirem e os passos se perderem
Nem quando fores grande e quieto
Nem quando a vida te mostrar que chegaste
Naquele dia, àquela hora
Vais perder o colo, o beijo, e os abraços
Vais chegar …e já não é segredo!
LM
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Histórias de Mimar a Música (3)
Oboé e Violoncelo

Onde está o duende?
Um duende, dois duendes
A conta é de somar
Chegam muito arrebitados
E quase sempre atrasados
Em lendas a cirandar
No bosque do miradouro
De orelhas pontiagudas
Vigiam o pote de ouro
No final do arco-íris
Com risadas bolachudas
Oboé é o duende anasalado
Tem os olhos verduscos
E o corpo amendoado
E é assim apelidado
Por estar sempre constipado
Com uns calções de cone
Como um gelado ao inverso
O oboé faz vibrar as palhetas
E afina a orquestra
Com um lá esperto
Segue lento e amuado
(tudo por estar adoentado)
E puxa de um lenço petiz
Para evitar que o vento
Lhe arrefeça o nariz
Já violoncelo robusto
Nunca se agasta de brincar
É um duende astuto
Com os pés de madeira
E um espigão a segurar
Gosta de levar em valsas
A mão da Beatriz
A quarta corda que abraça
Sempre em modo de graça
Até lhe corar o verniz
Diz-se que um e outro
São percebidos a deambular
Nas noites dos humanos
Mesmo que disfarçados
De folhas verde-mar
Com apetite insaciável
Prontos a devorar a cozinha
Entram de calcanhar manso
Nas casas com jardim
E nas outras vizinhas
Parecem sombras à espreita
E levam grandes sacos
Onde escondem o pão, o mel
E a fruta mais madura
Ao escaparem para o regato
Com água fresca na mistura
Começam a ceia demorada
As plantas servem de pratos
E os talos de garfos
Antes de levantar a alvorada
Ninguém sabe porque ninguém viu
Mas assim se faz um mito
Se espiares o silêncio do escuro
Quem sabe um dia um duende
Te deixe um desejo escrito

Onde está o duende?
Um duende, dois duendes
A conta é de somar
Chegam muito arrebitados
E quase sempre atrasados
Em lendas a cirandar
No bosque do miradouro
De orelhas pontiagudas
Vigiam o pote de ouro
No final do arco-íris
Com risadas bolachudas
Oboé é o duende anasalado
Tem os olhos verduscos
E o corpo amendoado
E é assim apelidado
Por estar sempre constipado
Com uns calções de cone
Como um gelado ao inverso
O oboé faz vibrar as palhetas
E afina a orquestra
Com um lá esperto
Segue lento e amuado
(tudo por estar adoentado)
E puxa de um lenço petiz
Para evitar que o vento
Lhe arrefeça o nariz
Já violoncelo robusto
Nunca se agasta de brincar
É um duende astuto
Com os pés de madeira
E um espigão a segurar
Gosta de levar em valsas
A mão da Beatriz
A quarta corda que abraça
Sempre em modo de graça
Até lhe corar o verniz
Diz-se que um e outro
São percebidos a deambular
Nas noites dos humanos
Mesmo que disfarçados
De folhas verde-mar
Com apetite insaciável
Prontos a devorar a cozinha
Entram de calcanhar manso
Nas casas com jardim
E nas outras vizinhas
Parecem sombras à espreita
E levam grandes sacos
Onde escondem o pão, o mel
E a fruta mais madura
Ao escaparem para o regato
Com água fresca na mistura
Começam a ceia demorada
As plantas servem de pratos
E os talos de garfos
Antes de levantar a alvorada
Ninguém sabe porque ninguém viu
Mas assim se faz um mito
Se espiares o silêncio do escuro
Quem sabe um dia um duende
Te deixe um desejo escrito
LM
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Comer o MAR, Comer o CÉU


Olha que se faz tarde
E já queima a última luz
Já desaparecem as vozes
As pessoas, nos carros
Só se notam os faróis
Poucos
Mas a noite sozinha
É tanta
Olha que se faz tarde
Tens o que querias?
A cara lavada, a roupa passada
O carro ligado
Era o que querias?
Diz-me, que se faz tarde
Se era tua a cara, a roupa
O carro e este dia
Olha que se faz tarde
E já queima a última luz
Já desaparecem as vozes
As pessoas, nos carros
Só se notam os faróis
Poucos
Mas a noite sozinha
É tanta
Olha que se faz tarde
Tens o que querias?
A cara lavada, a roupa passada
O carro ligado
Era o que querias?
Diz-me, que se faz tarde
Se era tua a cara, a roupa
O carro e este dia
Olha que se faz tarde
Texto e Fotografias
LM
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Diário da Madeira 4

Sabe a mar e sabe bem.
Nada como um mergulho fundo em águas negras e quentes para lavar o peso da semana que chega ao fim. A distância tem destas coisas: para sermos felizes é obrigatório despegarmo-nos do que ficou para trás e abocanharmos com vontade o que agora vem. Assim, arregaçadas as mangas, há que mostrar porque quisemos mudar de vida. Nem sempre nos entendem, às vezes até nos estranham, mas devagar batemos a desconfiança. Os amigos têm outros nomes, a casa chama por outra rua e a manhã acontece agora na varanda. Afinal, é todo um mundo novo.
Nada como um mergulho fundo em águas negras e quentes para lavar o peso da semana que chega ao fim. A distância tem destas coisas: para sermos felizes é obrigatório despegarmo-nos do que ficou para trás e abocanharmos com vontade o que agora vem. Assim, arregaçadas as mangas, há que mostrar porque quisemos mudar de vida. Nem sempre nos entendem, às vezes até nos estranham, mas devagar batemos a desconfiança. Os amigos têm outros nomes, a casa chama por outra rua e a manhã acontece agora na varanda. Afinal, é todo um mundo novo.
LM
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
domingo, 2 de setembro de 2007
Diário da Madeira 2




A vista surpreende, mesmo de noite. Lá em baixo vê-se o que já ouvi chamar de “presépio”, talvez a anunciação de um lugar melhor. A brisa fresca obriga a casaco mas a piscina, aqui espelho dos músicos, lembra que ainda é Verão. Viemos ao jazz, Xôpana jazz. TGB, Abe Rábade Trio, Matt Palvolka Group e André Fernandes 4teto. O lume está aceso. Bem-vindos à Madeira!
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Diário da Madeira 1
Despeço-me sempre com os olhos enxutos. Mal atravesso a porta de embarque aí estão elas: despegadas, roliças e molhadas. São lágrimas. E nem sei bem porque choro. O aperto no estômago acentua a gravidade, quase como se fosse empurrada para o chão e foçada a cravar as pernas na porta de partida, antes de partir.
Depois o voo. Mais tranquila, sorrio às hospedeiras. Gosto de ser simpática. Admiro-lhes a pose sempre adequada e firme. Olho em todas as direcções à procura da fila e do lugar e cruzo os dedos para descobrir que vou ficar sentada ao lado de um príncipe. Nunca aconteceu, vá-se lá saber porquê. Será que só montam, não voam? Desta vez vou à janela, mas prefiro o corredor. Tenho aquela tonta ideia que se algum dia o avião ameaçar cair estou assim mais perto da saída e de escapar ilesa.
23 horas.
Pego num livro. Escolhi “Hoje não” de José Luís Peixoto. Faço de conta que sou absorvida pela história. Mentira. Na minha cabeça não há lugar para outros contos, não hoje. Só os meus. E não é uma metáfora. É que tenho alguns para escrever e saem-me imagens nas circunstâncias mais impróprias. O meu saco está longe. Lá dentro tenho um bloco e caneta, companheiros inseparáveis. A hospedeira pediu-me que o guardasse. Eu deixei que ela o levasse. Preferia agora que ela não tivesse um ar tão firme e teria dito que queria o saco aos meus pés. Afinal, era onde sempre o levava, ao voar.
Penso.
Peço uma caneta ao senhor do lado e volto à primeira página do livro. Escrevo o que me vai na cabeça. Se é um crime rabiscar nas palavras dos outros, então confesso-me mais do que culpada. Faço-o tantas vezes!
Aí vem a água. Decidi aborrecer a hospedeira para me vingar da distância a que trancou o que é meu.
Ainda bem que a viagem é curta. Já não há muito espaço nesta primeira folha do livro. “Queiram apertar os cintos de segurança”. Nem o tinha desapertado. Nunca me levanto. Fecho o livro, entrego a caneta ao passageiro vizinho, olho mais uma vez a hospedeira firme, que agora me faz sentir segura, e chego ao Funchal!
LM
Depois o voo. Mais tranquila, sorrio às hospedeiras. Gosto de ser simpática. Admiro-lhes a pose sempre adequada e firme. Olho em todas as direcções à procura da fila e do lugar e cruzo os dedos para descobrir que vou ficar sentada ao lado de um príncipe. Nunca aconteceu, vá-se lá saber porquê. Será que só montam, não voam? Desta vez vou à janela, mas prefiro o corredor. Tenho aquela tonta ideia que se algum dia o avião ameaçar cair estou assim mais perto da saída e de escapar ilesa.
23 horas.
Pego num livro. Escolhi “Hoje não” de José Luís Peixoto. Faço de conta que sou absorvida pela história. Mentira. Na minha cabeça não há lugar para outros contos, não hoje. Só os meus. E não é uma metáfora. É que tenho alguns para escrever e saem-me imagens nas circunstâncias mais impróprias. O meu saco está longe. Lá dentro tenho um bloco e caneta, companheiros inseparáveis. A hospedeira pediu-me que o guardasse. Eu deixei que ela o levasse. Preferia agora que ela não tivesse um ar tão firme e teria dito que queria o saco aos meus pés. Afinal, era onde sempre o levava, ao voar.
Penso.
Peço uma caneta ao senhor do lado e volto à primeira página do livro. Escrevo o que me vai na cabeça. Se é um crime rabiscar nas palavras dos outros, então confesso-me mais do que culpada. Faço-o tantas vezes!
Aí vem a água. Decidi aborrecer a hospedeira para me vingar da distância a que trancou o que é meu.
Ainda bem que a viagem é curta. Já não há muito espaço nesta primeira folha do livro. “Queiram apertar os cintos de segurança”. Nem o tinha desapertado. Nunca me levanto. Fecho o livro, entrego a caneta ao passageiro vizinho, olho mais uma vez a hospedeira firme, que agora me faz sentir segura, e chego ao Funchal!
LM
terça-feira, 28 de agosto de 2007
domingo, 26 de agosto de 2007
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